A história continua: o cérebro nosso de cada dia – parte II

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O menino de nossa história tinha acabado de ser aprovado num dos concursos públicos mais difíceis do Brasil: o de Promotor de Justiça no Ministério Público de São Paulo.
O sonho tinha se concretizado: a justiça poderia ser aplicada; o conhecimento adquirido na faculdade poderia ser aplicado no dia-a-dia; os ideais de um mundo melhor estavam fervilhando na cabeça daquele jovem!
Mas o mundo não é tão cor-de-rosa assim… As primeiras dificuldades não demoraram a aparecer.
Todos os dias nosso jovem Promotor de Justiça começava seu dia pensando que poderia mudar o mundo: ideais de um Brasil melhor sem corrupção, com um meio ambiente respeitado, com crianças na escola e com merenda digna, com criminalidade na cadeia e tudo o mais…
O jovem Promotor de Justiça se preparava: estudava, se especializava, inicia sua carreira acadêmica e continuava sonhando em mudar o mundo.
Até que um dia as decepções começaram a surgir: percebeu que a luta pela Justiça não era tão simples assim. Percebeu que a corrupção era entranhada no mundo político. Percebeu que a população não estava preparada para a efetiva Justiça. Percebeu que os políticos e os empresários tinham um belo discurso, mas na hora de efetivamente lutar pelos interesses do povo, a história era outra.
E por causa disto, nosso Promotor de Justiça começou a se tornar não tão jovem assim. As decepções começaram a surgir uma atrás da outra… as ações contínuas de tentativa de mudar o mundo começaram a se esvair…
Nosso Promotor de Justiça começou a perceber que a idade vinha chegando e seu sonho estava cada vez mais distante…
A história continua: o cérebro nosso de cada dia - parte 2Ele começou a sentir uma enorme frustração pessoal: tinha um cargo extremamente importante, mas uma parcela da sociedade não apoiava seus ideais. Pelo contrário: torcia contra e via o insucesso como glória pessoal.
Nosso ex-jovem Promotor de Justiça entrou em depressão: oras, por que as pessoas agem desta forma? Por que nem todas têm o mesmo ideal de Justiça, de fraternidade, de igualdade tão acalentada no discurso político pueril e fácil?
O ex-jovem Promotor de Justiça começou a perceber que mais bem vistos eram aqueles que quase nada faziam, que não incomodavam, que não apareciam, que simplesmente batiam carimbo e assinavam folhas em branco, pois estas não têm cor e não aparecem.
E por causa disto, nosso amigo Promotor de Justiça começou a sentir um vazio enorme: a insatisfação tomou conta. Era hora de mudar, de procurar por novos horizontes, de reiniciar.
Até que finalmente ele fez um giro de 360 graus em sua vida. O problema é que sua vida não era apenas a sua vida. Envolvia a vida de sua família. Aquela jovem e linda garota com quem namorava nos bancos da faculdade agora já era sua esposa e duas crianças dependiam dos dois…
Mudar? Sim: mais uma vez. Até quando?
Veio a derradeira mudança em suas vidas: a Capital tão distante, tão temida, tão grande e desconhecida era a última em sua carreira.
Mas ainda não havia sido feita a verdadeira mudança pessoal: os hábitos ainda eram os mesmos; os ideais, embora adormecidos, ainda estavam vivos. Só que o mundo era outro.
Novos desafios, aqueles que são efetivamente importantes e derradeiros, deveriam ser enfrentados: por quê? Para quê? Como?
Estes desafios ainda precisam ser enfrentados…

 

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